O toque humano: desenvolvendo aplicativos para o Ultrabook™ em uma era pós-PC

Por Matthew Baxter-Reynolds

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Assista (em Inglês) How Multi-Region User Experience Influences Touch on Ultrabook


Nós estamos acostumados a interagir com nossos smartphones e iPads* através do toque. Mas quando utilizamos um desktop ou um notebook, normalmente utilizamos um teclado ou mouse. Com a interface de toque se tornando disponível em cada vez mais Ultrabooks, a Intel criou um programa de pesquisa para compreender melhor se e como as pessoas podem utilizar as capacidades de toque em notebooks tradicionais.

Para estragar o fim do artigo, os resultados foram positivos – muito positivos na verdade. Os usuários que experimentaram um meio de interagir com seus computadores através do toque, teclado e mouse consideraram isso um meio extremamente natural de trabalhar. Uma usuária descreveu isso utilizando a palavra italiana simpatico – dizendo literalmente que seu computador estava em sintonia com ela e agradável às suas demandas.

Vamos examinar a pesquisa realizada pela equipe da Intel e como podemos aproveitar as lições aprendidas com essas informações em nossos aplicativos.

Definindo o escopo do problema


É muito fácil ficar fascinado pelo apelo de desenvolver aplicativos para smartphones ou criar um novo site bonito. Entretanto, a realidade é que a maioria do desenvolvimento de software que acontece na área corporativa está relacionada a aplicativos empresariais internos e proprietários. A capacidade de otimizar esses aplicativos existentes para toque pode resultar em benefícios reais porque possibilita a criação de novos aplicativos com a capacidade de toque em mente.

Quem e onde

A pesquisa foi conduzida pela Ph.D Daria Loi. Daria detém o cargo de UX Innovation Manager na Intel e tem um interesse especializado na maneira pela qual as pessoas utilizam e adaptam novas tecnologias na interação com o usuário.

A pesquisa de Daria foi realizada com indivíduos nos Estados Unidos, Brasil, Itália e China. Em cada caso, ela e sua equipe trabalharam para reproduzir o ambiente do indivíduo da maneira mais aproximada possível. Por exemplo, na China, os usuários costumam utilizar seus dispositivos na cama, então o ambiente de teste foi reformulado para simular um quarto. O indivíduo foi considerado através do mesmo conjunto de exercícios – especificamente mudando configurações, criando um slide no Microsoft Office Power Point*, escrevendo uma mensagem de e-mail, navegando e buscando, fazendo compras online, fazendo ligações com vídeo e recortando uma imagem. Os indivíduos representaram uma mistura dos que tinham experiência com toque diariamente (ex.: com um smartphone ou tablet) e os que eram novos trabalhando com toque.

A equipe descobriu que os usuários se moviam naturalmente entre a utilização do toque, mouse, trackpad ou teclado, dependendo da tarefa a ser realizada. Essa descoberta foi realmente o principal avanço da pesquisa. Motivos inconscientes instruíram o indivíduo sobre a abordagem ideal passo a passo. Esse comportamento ocorre em cenários normais sem o recurso de toque em qualquer lugar. Considere situações onde você possa pressionar um atalho do teclado para salvar um documento mas utiliza o mouse para clicar em um ícone na barra de tarefas. A introdução do toque traz outro vetor que os usuários podem escolher em cada passo de uma tarefa complexa. O toque é uma coisa básica e orgânica a ser feita, tornando-o agradável às necessidades dos usuários. Os usuários entendem a necessidade de ativar um determinado botão; eles podem simplesmente alcançá-lo e tocá-lo, assim como um objeto do mundo real se essa abordagem for adequada para eles naquele momento.

Lembre-se de que, embora as pessoas frequentemente citem o toque como "sofisticado", ele não é. É a mais básica de nossas capacidades como humanos.

Assim como o toque é uma coisa natural a ser utilizada, os usuários informaram que o toque transforma o notebook de um dispositivo de trabalho em um dispositivo de diversão. Daria e sua equipe sentiram que isso aconteceu porque o toque permite às pessoas se sentirem envolvidas, transformando um notebook em alguma coisa agradável de utilizar. (Apesar da associação implícita com o trabalho, elas ainda queriam o teclado). A Figura 1 mostra o desmembramento entre os tipos de interação.


Figura 1. Interação com o dispositivo por tipo de entrada


O toque também permite uma nova forma de interação: "deslocamento" (scrolling). Utilizando "rolagem dinâmica", um rápido e urgente passar de dedos podem rolar uma lista com grande distância em comparação com a utilização da roda de um mouse. A rolagem de longas distâncias com a utilização da roda do mouse é normalmente entediante. A utilização de uma barra de rolamento com um trackpad é normalmente entediante e incômoda. O "deslocamento", entretanto, não é nada disso. Ele é simples e eficaz na movimentação de grandes distâncias rapidamente.

Portabilidade

O que é importante para esse tipo de computador é que os usuários informaram que, embora estejam dispostos a abandonar seus trackpads – e por consequência o mouse – eles não estão dispostos a abandonar os seus teclados. Com os computadores Ultrabook, a Intel está trabalhando para tornar a proposição do notebook mais portátil. O toque ajuda nisso. Ao invés de ter que transportar o notebook e um mouse, o usuário carrega apenas o notebook. (Isso é, naturalmente, semelhante à maneira com que os teclados dos notebooks sempre trabalharam). Os pesquisadores da Intel descobriram no passado que os usuários são de maneira geral hostis aos trackpads em razão da maneira difícil e não natural com que operam. Os trackpads representam um comprometimento no formato do notebook, mas o toque não. O toque é uma capacidade de entrada ideal, assim como o teclado.

Como parte desse elemento do trabalho, a equipe queria entender como os indivíduos se sentiriam sobre os computadores conversíveis e, por extensão, sobre os tablets. Os indivíduos de maneira geral não estavam dispostos a acabar com seus teclados, mesmo se fosse apenas uma desconexão temporária do computador. Os computadores conversíveis, embora não tenham sido testados diretamente, foram considerados apropriados pelos indivíduos do teste. O que ficou claro é que os indivíduos de maneira geral queriam manter a produtividade no espaço de trabalho, ao mesmo tempo, mantendo-o enriquecido.


Sabedoria Convencional

A sabedoria convencional ao se abordar o uso do toque sugere que ele representa uma falha desde o início, porque as pessoas considerarão desconfortável ter que alcançar a tela. A equipe concluiu que esse não era o caso e que todos os indivíduos adaptaram seu comportamento para apoiar essa nova abordagem de entrada mudando a posição do corpo para ficar confortáveis, apoiando-se na superfície de trabalho disponível, etc. Realmente, por causa da dualidade do trabalho com toque ou mouse ou trackpad, os indivíduos puderam alternar entre um modo e outro dependendo de como se sentiam. Longe de introduzir a síndrome chamada de "gorilla arm"**, os usuários informaram um aumento considerável nos níveis de conforto trabalhando dessa maneira.

Outro aspecto de sabedoria convencional que Daria explorou foi a ideia de que o fato de bater na tela inclinaria o computador. O que a equipe descobriu na verdade foi que os indivíduos estavam cautelosos, mas confiantes e tocariam com a pressão apropriada para registrar sua intenção sem inclinar o computador ou alterar o ângulo do tela.

Opiniões de Usuários

Antes de observar como aplicar a otimização de toque em aplicativos, vamos ver algumas opiniões dos indivíduos:

“Eu ADORO a interação sem ter que ter todos esses periféricos (mouse, touchpad)...você precisa deixar eu levá-lo para casa comigo!" (Marcus, 49-Estados Unidos)


Enquanto ela aponta para a tela: "Eu gosto tanto do toque que sempre esqueço que não posso fazer isso em meu computador." (Susan, 33-Estados Unidos)

"Eu gosto do deslocamento [porque] você pode, com um pequeno movimento da mão e avançar rapidamente." (Betty, 22-Estados Unidos)

“WOW . . . isso é fácil . . . .Ele está quase lendo o seu pensamento. Você pensa em uma coisa e faz. Simplesmente toque nele." (Pamela, 49-Estados Unidos)

"É mais fácil ir diretamente lá e clicar com o seu dedo." (Franco, 21-Itália)

"Há alguma coisa na interação de realmente tocar a tela e pressionar um botão que parece mais envolvente." (Sonia, 26-Estados Unidos)

"Mais imediato, mais rápido...mais agradável." (Alessandra, 44-Itália)

"Ter um notebook com toque é ter um notebook com uma marcha extra." (Pino, 35-Itália)

"Eu gosto dele realmente...ele é libertador." (Kyle, 30-Estados Unidos)

"Ele parece mais...conectado." (Jacob, 39- Estados Unidos)
"Ele torna a experiência mais interativa." (Marcus, 49- Estados Unidos)

"Seria ótimo poder variar... mudar... não ficar limitado" (indicando o mouse) "... o tempo todo" (Mark, 37- Estados Unidos)

"Parece mais confortável...utilizando o mouse eu sinto uma pequena tensão no meu pulso." (Kyle, 30- Estados Unidos)

“É como, ergonomicamente...se sentir melhor ficando em frente a você, do que movendo constantemente para o lado." (Jodie, 25- Estados Unidos)

"Eu realmente prefiro (a tela) apoiada do que deitada (como o tablet). Isso cria um cenário mais ergonômico." (Meredith, 32- Estados Unidos)

"Eu realmente fico frustrada com o mouse, então qualquer oportunidade para utilizar o toque...Eu aproveitarei." (Sonia, 26- Estados Unidos)

"Eu gosto do toque, mas para digitar eu prefiro o teclado." (Marcus, 49- Estados Unidos)

"Eu acho que os trackpads representam um sofrimento." (Jacob, 39- Estados Unidos)

"Eu o tenho utilizado [o trackpad] e ele é muito entediante." (Pamela, 49- Estados Unidos)

"Quando você e eu nos sentamos aqui, eu pensei que utilizaria o mouse mais do que estou utilizando. Estou surpreso por não fazer isso." (Alma, 47- Estados Unidos)


Aplicativos na empresa


As empresas geralmente têm uma mistura de aplicativos que são desenvolvidos internamente ou comprados de fornecedores (talvez com customização) e aplicativos que são de intranet/extranet baseados na Web ou aplicativos de desktop. A capacidade de otimizar os aplicativos para o toque varia por tipo de aplicativo. Além disso, aplicativos têm diferentes públicos-alvos dentro da empresa que por sua vez têm acesso a diferentes formas de hardware. Os funcionários que passam muito tempo externamente normalmente têm notebooks. Os funcionários que trabalham principalmente no escritório normalmente têm desktops.

Uma consideração secundária importante é se o público-alvo dos aplicativos consiste inteiramente de pessoas que utilizam os notebooks ou se há uma mistura de notebooks e desktops. Se a utilização for exclusivamente baseada em notebooks, você não precisa considerar a ativação ou não da otimização de toque.

A otimização do toque não diz respeito necessariamente a tornar alguma coisa sensível ao toque. Por exemplo, ao utilizar o toque, os "objetivos" da interface do usuário (IU) (botões, campos, etc.) precisam ser maiores para compensar a falta de precisão. Mas, quando você torna as coisas maiores, você perde o estado real. Em aplicativos que necessitam de uma abordagem mista de entrada, é desejável ativar a otimização do toque (por exemplo, tornando todas as coisas maiores) ou desativá-la.

Se o aplicativo for um aplicativo legado ou um novo aplicativo sendo desenvolvido, isso não tem relevância direta no trabalho de otimização do toque. Você poderá criar um estudo de caso em torno da otimização do toque independentemente de você estar modificando o software existente ou realizando um novo projeto.

As próximas duas seções tratam de meios para introduzir a otimização do toque em aplicativos de desktop e aplicativos da Web.


Capacidade de toque em aplicativos de desktop


Voltando ao meio pelo qual os indivíduos alvo da pesquisa utilizaram a capacidade de toque, eles tenderam a se mover entre o toque e o mouse dependendo de fatores sutis do subconciente. O que isso nos diz é que o modo mais confortável de operação não é aquele onde estamos insistindo para que utilizem um método ou outro, mas sim que ele é indeterminado. Um usuário pode clicar em um botão de uma maneira utilizando o mouse 80% do tempo e utilizar o toque 20% do tempo um dia e reverter totalmente esse padrão no dia seguinte. Seja o que for que você projetar tem que atender a ambos os modos de entrada. Naturalmente, se você falhar em seu projeto e acabar tomando a decisão pelo usuário, certamente haverá frustração.

Incidentalmente, a escolha da plataforma e da estrutura utilizada na criação do aplicativo provavelmente não é relevante quando se fala de otimização do toque. Por exemplo, Java* e Microsoft.NET são igualmente capazes de suportar desenvolvedores introduzindo o toque porque nenhuma plataforma considera o toque como um meio ideal de proporcionar entrada em um aplicativo. (Na ocasião do artigo isso era verdade. No decorrer do tempo essa visão deverá mudar porque o toque trilha o caminho inverso dos dispositivos pós-PC para os PC antigos). Assim, qualquer trabalho que você queira fazer, você terá que fazê-lo por você mesmo, ainda que esse trabalho tenda a não ser oneroso. Na realidade tudo o que você está tentando fazer é ser agradável ao usuário.


Objetos

Para os aplicativos de desktop, a principal consideração é o tamanho dos objetos. Muitos aplicativos empresariais são baseados em formulários e assim os aplicativos tendem a ter uma reputação de serem muito compactos.

O toque conta com a capacidade do sistema operacional de intuir o que você quer clicar considerando a área que você pressiona com o seu dedo "impreciso". Enquanto um mouse sempre registra uma coordenada exata de pixel único sob o local do cursor, o sistema operacional assume a entrada de uma tela de toque como imprecisa e faz a compensação adequadamente. Por exemplo, se a tela de toque informa que você pressionou fora de um campo, o sistema operacional pode escolher interpretar isso como um clique no campo porque você tem mais probabilidade de querer clicar no campo do que fora do campo. Assim, uma maneira pela qual você pode ajudar o sistema operacional é espaçar os campos permitindo que toques fora do campo possam ser mapeados com mais confiabilidade como intenções de clicar no campo. O mesmo se aplica a botões.

Outra maneira de ajudar o sistema operacional é tornar os campos maiores pela simples razão que um campo maior é mais fácil de atingir. De maneira geral, a apresentação padrão de botões e campos é de um tamanho apropriado para operação com toque ou mouse.

Muitas vezes os formulários são limitados porque os engenheiros de software querem manter tudo em um único formulário; então é fácil encontrar aplicativos que têm formulários imprecisos ou incômodos. Ao otimizar o toque nesse tipo de formulário, você pode considerar apropriado dividir a funcionalidade individual em guias. Naturalmente, você também tem que criar as guias em um tamanho apropriado. Por padrão, as guias normalmente são muito pequenas, provavelmente porque os desenvolvedores geralmente as consideram um elemento de IU secundário. Para otimizações de toque você tornará esse elemento secundário em elemento principal tornando-o maior.

As barras de ferramentas e os menus são outras considerações. Os menus normalmente são gerenciados pelo sistema operacional e assim você pode assumir que o sistema operacional interpretará o toque de maneira ideal quando trabalhar com menus. Dito isso, como é provável que o usuário terá um teclado, você pode escolher fazer com que algum do seu trabalho de otimização do toque inclua mais aceleradores do teclado para conduzir o menu, reduzindo assim a necessidade de utilizar o menu.

Em termos de barras de ferramentas, você pode achar que os botões são muito pequenos. As barras de ferramentas são necessárias, mas os desenvolvedores tendem a torná-las as menores possíveis porque são um recurso secundário em comparação com a exibição dos dados em que você está trabalhando.

O maior problema com as barras de ferramentas é a exibição de dicas (tooltips). Introduzidas com o Microsoft Windows* 95, essas dicas permitem aos usuários utilizar o mouse para obter uma compreensão mais aprofundada do que um botão faz. (Embora uma imagem fale mais do que mil palavras, os ícones da barra de ferramentas estão normalmente ocultos). A pesquisa da equipe não incluiu um teste sobre se os usuários aproveitaram as dicas de ferramentas, mas é fácil assumir que os usuários que querem saber o que um botão faz podem apertá-lo e esperar o aparecimento da informação. Essa funcionalidade é certamente factível, mas considere que o dedo e a mão do usuário estarão obscurecendo a tela em torno do botão, etc. Assim, você precisará considerar onde exibir a dica de ferramenta. Com as dicas de ferramentas são um recurso padrão da maioria das bibliotecas da barra de ferramentas, essa mudança de apresentação pode requerer trabalho adicional.

Os aplicativos de desktop tradicionais normalmente contam com formulários pop-up e caixas de diálogo. A única consideração aqui é que as pessoas normalmente querem mover e redimensionar esses itens. O sistema operacional, naturalmente, fará isso por você. Além disso, o sistema operacional deverá fazer um bom trabalho no tratamento da interação de toque em títulos e bordas. Então, verifique se o seu aplicativo funciona adequadamente nesse sentido.


Outros tipos de aplicativos

Isso é o bastante para aplicativos com formulário básico. Mas e para os aplicativos com interfaces mais novas, especializadas?

De tempos em tempos os desenvolvedores criam interfaces customizadas com a expectativa de que os usuários arrastem itens em torno de suas superfícies ou façam deslocamentos. As visualizações de Gantt e visualizações de programação são bons exemplos desse tipo de interface. No primeiro exemplo, você deve considerar o tamanho do objetivo, como faria em um formulário normal.

No segundo exemplo, você pode tratar de um problema onde o sistema operacional é limitado na ajuda que pode lhe dar na interpretação de um toque. Quando o sistema operacional é solicitado a exibir um formulário, ele tem um entendimento da construção daquele formulário e assim pode tomar decisões como, "O usuário clicou em uma área em branco; Suponho que ele ou ela queria realmente clicar neste campo." Se você customizou toda a interface, o sistema operacional verá apenas uma superfície de apresentação sem um significado mais profundo. Assim, você pode precisar criar seus próprios controles customizados para interpretar o toque de um usuário e identificar onde o usuário realmente quer interagir.

Zoom & Rolagem

Os sistemas operacionais normalmente interpretam as intenções de rolagem adequadamente. Um cuidado, entretanto. Se você utiliza bibliotecas de controle de terceiros em seu aplicativo, você pode encontrar problemas. Embora o sistema operacional conheça seus controles padrões de caixa de lista e possa inferir uma intenção de rolagem, isso pode não ser verdade para um controle de terceiros. Dito isso, normalmente a rolagem funciona bem porque mesmo os controles de terceiros tendem a aproveitar e ampliar os controles padrões do sistema operacional.

Uma área onde você pode ter um trabalho difícil é a de aplicação de zoom. O "movimento de pinça para zoom" em dispositivos com toque é natural, mas não há suporte integrado para ele nos controles padrão.

Nota: Como desenvolvedor, se você está trabalhando em otimização do toque, você não tem a liberdade de se escolher entre o toque e o mouse. É assumido que tudo o que você fizer funcionará com um mouse. Precisa estar sob seu controle quais ações funcionarão com toque.


Capacidade de toque em aplicativos Web


Ao considerar o toque em aplicativos Web, de maneira geral, estamos falando sobre as mesmas regras aplicáveis aos aplicativos para desktop com relação a tamanho e localização. Os campos precisam ser maiores e com maior espaço. De uma perspectiva de desenvolvimento de software, entretanto, é provável que seja mais fácil fazer essas modificações porque o layout de HTML é destinado a ser mais dinâmico e os ajustes criteriosos à folha de estilo em cascata (CSS) podem exigir pouco trabalho para implementação da mudança.

Os aplicativos Web tendem a ser mais simples do que os aplicativos de desktop – pelo menos para os tipos de aplicativos encontrados em empresas. Meios mais inventivos de criar interfaces podem ser encontrados em aplicativos Web 2.0. Os aplicativos da Web do tipo empresarial são normalmente baseados em formulários sem sofisticação, pouco complexos e UIs não customizadas. Assim, depois que você negociar a otimização em relação a tamanho o posicionamento dos elementos de IU, seu trabalho estará terminado.

Há alguns problemas nesses aplicativos, entretanto. Um problema importante é que é improvável que o navegador de escolha seja otimizado para toque, particularmente se a organização padronizou um navegador antigo por razões de compatibilidade. O Windows* Internet Explorer* 10 – o navegador padrão que será fornecido com o Windows* 8 e Windows* RT – será otimizado para toque. Versões mais antigas do Internet Explorer não serão. Outros navegadores provavelmente não serão. Isso sugere que o teste e ajuste de qualquer trabalho de otimização de toque será provavelmente mais difícil em aplicativos da Web.

O maior problema com otimização de toque em um aplicativo da Web é que os links tendem a ser muito pequenos para os usuários tocarem com confiança. Em situações onde o usuário está utilizando um navegador otimizado para toque, é provável que o navegador faça um trabalho satisfatório de interpretação das intenções de toque do usuário. Entretanto, se o usuário não estiver confiante de que seu toque terá o efeito desejado, isso prejudicará a experiência e limitará o valor do trabalho realizado. Links de textos devem ser evitados de maneira geral em aplicativos da Web e substituídos por botões. (Esses botões não precisam necessariamente ser muito grandes. Você está buscando aumentar a confiança em primeiro lugar. O espaço continua importante, entretanto). Novamente, graças à CSS, os links podem ser automaticamente estilizados como botões.

As caixas de diálogo e os pop-ups aparecem em aplicativos da Web de tempos em tempos, mas com menos frequência do que suas semelhantes de desktop. As mesmas regras se aplicam aqui também. Assegure-se de que as pessoas possam movê-las e redimensioná-las. Mesmo com um navegador otimizado para toque, você não receberá muita ajuda para essa funcionalidade, mas é mais fácil criar recursos como títulos de diferentes tamanhos em comparação com aplicativos de desktop.


Conclusão


Está se tornando cada vez mais comum encontrar pessoas trabalhando em desenvolvimento de software falando sobre "experiência do usuário". Longe de ser uma ideia que está na moda ou um artifício para permitir aos desenvolvedores ignorar o que os usuários necessitam, mas o maior entendimento do impacto que o software tem sobre os usuários vem com a maturidade do mercado. Os desenvolvedores e investidores de projetos tendem a estar mais envolvidos e preocupados com a maneira como os usuários se sentem sobre o software que vão utilizar.

O que ficou claro na pesquisa que Daria e sua equipe realizaram é que a experiência do usuário pode ser melhorada – consideravelmente – envolvendo o toque. Ele torna um dispositivo de trabalho em um dispositivo de diversão e em um ambiente comercial isso não é uma coisa ruim. Ao invés de pensar como se fosse uma brincadeira, pense nele como um software deixando de ser um obstáculo e permitindo que a criatividade do usuário apareça.

Este artigo tratou da pesquisa e sua conclusão, mas também explorou a maneira como os aplicativos novos e legados podem ser otimizados para o toque. Os usuários tenderão a alternar entre as operações com toque e com mouse sem considerações conscientes. Você pode oferecer valor dentro do aplicativo tornando os objetos maiores e trabalhando com espaço. Lembre-se de manter os seus esforços de testes focados em toque, confiando em que a manipulação mais tradicional com o mouse funcionará independentemente. De qualquer maneira, com um pouco de esforço, você pode utilizar o toque para oferecer aplicativos melhores, mais envolventes e mais atrativos para seus usuários.


Mais sobre Daria Loi


Daria Loi é projetista, arquiteta de experiência de usuários e líder criativa, com uma paixão por design participativo, pesquisa etnográfica e baseada em práticas, IUs naturais e gerenciamento criativo. Na Intel, ela ocupa o cargo de UX Innovation Manager na PC Client Solutions Division. Antes de ocupar esse cargo, ela trabalhou como cientista de pesquisa no Intel Labs e Intel Digital Home Group. Antes da Intel, ela trabalhou como arquiteta na Itália, foi pesquisadora sênior na RMIT University e principal pesquisadora do Interactive Information Institute na Austrália. Daria detém um Ph.D. em administração e Bacharelado em Arquitetura com especialização em design industrial.

Rodapé


** Gorila arm, ou braço de gorila é o desconforto gerado por manter seu braço numa posição sem apoio por longos periodos, dando a sensação de que o braço está pesado.
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